Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lidera um dos avanços científicos mais promissores no tratamento de lesões da medula espinhal, ao utilizar a proteína polilaminina para estimular a reconexão de neurônios. A substância, extraída da placenta, já foi aplicada em dezenas de pacientes com paraplegia e tetraplegia, resultando em recuperações de movimentos surpreendentes e gerando esperanças de uma inovação terapêutica inédita no mundo.
Apesar do potencial, a trajetória científica enfrentou obstáculos significativos: o Brasil perdeu a proteção da patente internacional da polilaminina por causa de cortes de verba na UFRJ entre 2015 e 2016, o que impediu o pagamento das taxas necessárias para manter o registro no exterior. A própria pesquisadora Tatiana de Sampaio relatou que chegou a custear parte dos pagamentos do próprio bolso para preservar a patente no Brasil, mas a exclusividade internacional foi definitivamente perdida, abrindo espaço para que a tecnologia seja utilizada por competidores estrangeiros sem restrições.
A primeira etapa de testes clínicos da polilaminina já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e os resultados iniciais voltam a colocar a pesquisa brasileira no centro das discussões. O tema ganhou ainda mais visibilidade após a jornalista Ana Paula Mendes publicar um vídeo nas redes sociais destacando não apenas os resultados promissores da pesquisa, mas também a necessidade de debater o que a sociedade escolhe valorizar, memória cultural de um lado e avanços científicos que podem mudar vidas do outro. A repercussão gerou aplausos e reforçou a importância de reconhecer o impacto de descobertas como essa no cenário nacional e internacional.




