O turismo segue forte na Região dos Lagos e confirma que o destino alcançou um novo patamar. Milhões de visitantes passaram pelas cidades durante a alta temporada, movimentando a economia, aquecendo o comércio e impulsionando serviços. No entanto, esse crescimento acelerado também evidenciou limites estruturais que impactam diretamente a rotina de quem vive na região.
Em um vídeo publicado recentemente nas redes sociais, a jornalista Ana Paula Mendes chamou atenção para a necessidade de integração entre os municípios como caminho para evitar a repetição de problemas históricos. A repercussão foi imediata. Nos comentários, moradores relataram nervosismo e desgaste diante de situações recorrentes durante o verão, como falta d’água, quedas constantes de energia, trânsito saturado e serviços sobrecarregados. Para muitos, a sensação é de que a infraestrutura das cidades não acompanha a avalanche de pessoas que chega nos períodos de pico.
A comparação feita por moradores ajuda a dimensionar o impacto: é como se, temporariamente, grandes centros urbanos fossem inseridos em cidades de médio porte, sem que haja estrutura suficiente para absorver esse aumento populacional. Embora o turismo gere emprego, renda e movimento econômico, o custo desse crescimento acaba recaindo de forma mais intensa sobre o morador, que convive com a perda de qualidade de vida ao longo da alta temporada.
Outro ponto amplamente citado pelo público diz respeito aos preços praticados nesse período. Relatos de valores considerados abusivos em restaurantes, estacionamentos e serviços de praia se multiplicaram, afastando inclusive quem mora na região dos próprios espaços turísticos. Muitos afirmam que, durante o verão, se torna inviável frequentar praias e estabelecimentos locais, o que reforça a sensação de exclusão e desgaste.
A reportagem solicitou posicionamento das sete prefeituras da Região dos Lagos, além das concessionárias Prolagos e Enel. Até o momento, Enel informou apenas que deve divulgar, em breve, o esquema especial de atendimento para o período do Carnaval.
Já a Prolagos informou que mantém ações de reforço no sistema de abastecimento durante a alta temporada, quando a região recebe um número de pessoas muito acima da média. Segundo a concessionária, no dia 31 de dezembro o público estimado chegou a 1,6 milhão de pessoas, com mudança no comportamento dos visitantes, que passaram a permanecer mais tempo na região. A empresa destacou que melhorias no sistema vêm sendo realizadas desde o ano passado e que o abastecimento conta com reforço de caminhões-pipa operando 24 horas por dia. A orientação aos moradores é manter o registro do hidrômetro aberto, especialmente no período noturno, quando a pressão da rede é maior para o abastecimento de cisternas e caixas d’água. O atendimento é feito pelo 0800 7020 195.
O debate levantado reforça uma reflexão urgente: o turismo continua sendo um motor econômico essencial para a Região dos Lagos, mas sem planejamento integrado, organização regional e ações coordenadas entre municípios, os mesmos gargalos tendem a se repetir. Para quem vive na região, o desafio é claro: crescer, sim. Mas com estrutura, equilíbrio e qualidade de vida.




